O Senhor dos Anéis e muitas verdades…

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Sauron, Senhor do Escuro

Afinal, o que é o “Um Anel?” De acordo com a obra de Tolkien, Sauron, na Primeira Era, que antes era vassalo de Morgoth (um Valar de grande poder criado por Iluvátar e que foi exilado para a Terra Média por se rebelar contra seu criador e seus outros filhos), viu seu superior sucumbir ao poder dos outros Valar. Sauron que era um Maiar (seres que estavam muito além da compreensão humana mas que eram inferiores aos Valar) implorou perdão pelos seus abusos e erros mas  quando percebeu que iria ser julgado fugiu. Então ele retorna na Segunda Era da Terra Média que por sua vez já era governada pelo que restou dos Eldar, (Elfos representantes das três famílias que partiram para o Oeste) apresentando-se como um Annatar (Senhor dos Presentes). Ele estabeleceu uma relação amigável com os povos livres. O futuro Senhor do Escuro ofereceu sua ajuda para governar, pois possuía muita sabedoria. Os três principais governantes dos Elfos não confiavam nele ( Galadriel, Gil Galad e Círdan) mas mesmo assim ele foi recebido pelos elfos artífices de Eregion que acima de tudo desejavam os conhecimentos de Sauron para aprimorar suas técnicas. O que importa nesse ponto da história é que os Sete e os Nove anéis foram forjados pelos elfos com a participação de Sauron. Os três anéis élficos mais importantes foram forjados por Celebrimbor que era vassalo de Galadriel e de Celeborn e Sauron não teve participação alguma na forja desses anéis. Em segredo Sauron forja na Montanha da Perdição o Um Anel e transfere para esse grande anel uma parcela de seu poder. O propósito principal? Dominar todos os outros anéis que foram dados de presentes a três raças: Anões, Elfos e Homens.

Os versos gravados no Um Anel dizem:

” Três Anéis para os Reis-Elfos sob este céu,
Sete para os Senhores-Anões em seus rochosos corredores,
Nove para os Homens Mortais fadados ao eterno sono,
Um para o Senhor do Escuro em seu escuro trono
Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam.
Um Anel para a todos governar, Um Anel para encontrá-los,
Um Anel para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los
Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam.”

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Como vamos perceber um pouco mais adiante o poder que Sauron transferiu dele mesmo para o Um Anel reside na concupiscência (Veja aqui o significado). O apóstolo Tiago sobre isso falou o seguinte:

“… Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado;
e o pecado, sendo consumado, gera a morte…” (Tiago 1:14-15).

Isso é muito interessante, pois o Um Anel cresce ou diminui de acordo com o portador. E aqui já podemos entender que ele se ajusta ao “psicológico de cada indivíduo”, ao conhecimento adquirido ao longo da vida e também se ajusta, obviamente, a concupiscência de cada um. Então, estamos falando do Mal e da forma como esse Mal se manifesta em cada um de nós em nosso cotidiano. Tolkien nos torna conscientes de nosso fardo, pois todos carregamos, o tempo todo, anéis de poder em nossas vidas e se quer percebemos isso e a forma que o Anel (nossos interesses pessoais) nos domina se dá através da concupiscência.

Outra coisa muito importante é a viagem de Frodo, sua aventura para destruir o anel. A viagem de Frodo é um processo de individuação. Como todo herói Frodo se transforma ao longo do caminho. Sai do Condado com a alma de uma criança, carregando o Um Anel. Durante o caminho pensa em sua terra natal, sente falta dela, da sua casa, de seus vizinhos e do seu cotidiano. Tudo que ele deseja é voltar. Mas quando ele chega ao Topo do Vento (um lugar semelhante a tantos sítios arqueológicos conhecidos e que eram lugares de sacrifícios e iniciações) sua trajetória sofre uma guinada.

Topo do Vento

Topo do Vento

“…E os Hobbits governarão o futuro de todos…”

Frodo, o pequeno, é ferido pelo Feiticeiro Rei de Angmar e sua vida se transforma. Como todo processo de individuação segue um padrão, Frodo adquiri uma cicatriz que o coloca no limiar entre a Luz e da Escuridão, que nada mais é que o seu primeiro contato com a Sombra, o Ânimus e Ânima e por último o Self. Surgem os conflitos internos, a luta entre o certo e o errado e a necessidade de superação. Aqui começa a questão do Livre Arbítrio e da falsa justiça. Na República  existe um diálogo entre Sócrates e Glauco onde ele afirma que a Justiça é apenas convenção social, de aparências, e que nunca será a expressão de algo interno que faça parte da essência do homem. O Livre Arbítrio verdadeiro está em fazer escolhas de acordo com a essência e nunca baseado nas aparências, por isso Gollum queria achar o anel, colocá-lo e tornar-se invisível para matar Bilbo, mas Bilbo (outro pequeno) achou o anel e ao colocá-lo decidiu não matar Gollum, pois apiedou-se do mesmo, aqui está o Livre Arbítrio baseado na essência.

Sobre o Livre Arbítrio Santo Agostinho dizia:

“…Na verdade, se o homem fosse um certo bem, e não
pudesse, a não ser quando o quisesse, proceder virtuosamente, tinha de possuir a vontade livre, sem a qual
não poderia proceder virtuosamente. Na verdade, pelo
fato de que também por meio dela se peca, não se deve
supor que foi para isso que Deus a concedeu. Há pois
razão suficiente para ela dever ser dada, já que sem ela
o homem não pode viver virtuosamente. Ora, que para
isto foi concedida, pode até conhecer-se por este lado,
que se alguém usar dela para pecar, sobre ele recai o
castigo, da parte de Deus. Seria injusto que isso fosse
feito, caso a vontade livre nos tivesse sido dada não só
para se viver honestamente, mas também para se pecar.

Na verdade, como se infligiria justamente castigo a
quem tivesse usado da vontade para aquele fim, para o
qual ela foi concedida? Ora, quando Deus pune quem
peca, que outra coisa te parece Ele dizer, senão isto:
por que é que não usaste da vontade livre para o fim
para que eu te dei, isto é, para proceder honestamente?
Por outro lado, como existiria essa bondade, com que
a mesma justiça se enaltece ao condenar os pecados e
dignificar as boas ações, se o homem estivesse privado
do livre-arbítrio da vontade?

Com efeito, o que não se fizesse por vontade,não seria nem pecado nem boa ação.
Dessa maneira, se o homem não dispusesse de vontade
livre, tanto seria injusto o castigo como o prêmio. Ora,
não podia deixar de haver justiça, tanto na pena como
no prêmio, pois esse é um dos bens que procedem de
Deus. Deus devia, pois, dar ao homem a vontade livre…”

Santo Agostinho afirma que o Mal surge quando o homem escolhe por vontade livre criar laços ou apegar-se as coisas criadas em detrimento do Amor de Deus o que me parece que é o mesmo que ignorar a voz da consciência (Isildur quando ignora Elrond na Montanha da Perdição e toma o Um Anel para si), que é a voz da própria essência.

Sobre os Pequenos e os Grandes

O inconsciente é sempre o “pequeno” quando comparado a ilusão de poder que o ego causa. O ego sempre julga estar no controle das coisas . Mas é no inconsciente que reside a verdadeira força. Sauron representa o ego, sua sombra, e a necessidade de poder e controle. O ego é corruptível por sua própria natureza. O Um Anel representa essa corrupção. Resta a Frodo (cada um de nós) aceitar seu fardo e seguir adiante, pois o Um Anel só pode ser destruído nas chamas da Montanha da Perdição. Agora é interessante olharmos os versos novamente para entendermos a “Montanha da Perdição”  e suas chamas, pois eles dizem muitas coisas:

Três Anéis para os Reis-Elfos sob este céu,”  Uma alusão a Trindade, a ordem intelectual, a espiritualidade e a organização de um governo divino.

“Sete para os Senhores-Anões em seus rochosos corredores,”  O número sete é um número também divino por excelência mas nesse caso parece estar mais relacionado a criação  e finalização da Matéria, o que nos remete ao livro do Gênesis e os sete dias da criação. Em termos de governo e liderança parece representar a plenitude de um governo terreno inspirado em harmonia universal.

Nove para os Homens Mortais fadados ao eterno sono,Aqui é onde o governo divino se estende depois de tomar forma, e passa a se refletir em toda a sua criação. São os nove anos que representam os ciclos naturais, as gestações, o aprimoramento intelectual e a coroação de todos os esforços mas também sinaliza o início de um novo ciclo.

Um para o Senhor do Escuro em seu escuro trono
Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam.
Um Anel para a todos governar, Um Anel para encontrá-los,
Um Anel para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los
Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam.”  

Nesse trecho há revelação, pois existe um Poder oculto que se esconde no inconsciente (a montanha) onde a ignorância sobre quem realmente somos e onde a força divina que liberta (consciência, Chama do Espírito) reside mas dorme em seu sono eterno! Só a Chama do Espírito (consciência plena) pode nos libertar da ilusão em relação as questões que vivemos diariamente e que por suas vez são as causas de nossas preocupações, dores e problemas.

Há uma soma que precisa ser feita para entendermos outras coisas bem mais ocultas. Então temos:

3 anéis (Elfos) + 7 anéis (Anões) + 9 anéis (homens) = 19 Anéis

Mas existem quatro raças principais e somente para três raças foram ofertados os anéis. Por que isso ocorreu? Por quê Sauron ignorava a raça dos Hobbits por considerá-la sem importância. É o ego desprezando o inconsciente e sua centelha divina!

É aqui que entra o Um Anel. Agindo nas sombras Sauron pretende controlar os desejos de todos. A consciência vai ser enganada pelas falsas percepções e o caos será o resultado final. Tudo isso é o resultado da vontade por mais e mais poder. Um ego distorcido, com uma visão unilateral do mundo e que não se importa com a vida dos outros e de todas as outras formas de vida. A força de Sauron, que é a força do Um Anel, reside no fato de que basta alguém desejar ter o poder do anel para, por ele, ser corrompido. Essas são forças que correspondem as correntes de pensamentos que se chocam por serem antagônicas mas complementares em seus propósitos finais. Ainda sobre isso temos uma citação nas explicações de Haldir, um dos súditos de Galadriel, que ao convidar Frodo, nas Terras de Lórien, para observar de um dos pontos mais altos das fronteiras daquela terra suas cercanias,  diz: “…Ali fica a fortaleza do sul da Floresta das Trevas – disse Haldir. – Está incrustada numa mata de abetos escuros, onde as árvores lutam umas com as outras e seus ramos apodrecem e definham. No meio, sobre uma colina rochosa, fica Dol Guldur, onde por muito tempo o Inimigo oculto tinha sua moradia. Tememos que agora esteja habitada outra vez, e com um poder sete vezes maior. Ultimamente uma nuvem negra paira sobre ela. Neste lugar alto você poderá ver os dois poderes que se opõem; e agora ambos sempre lutam através dos pensamentos, mas embora a luz perceba o próprio coração da escuridão, seu próprio segredo ainda não foi descoberto…”

Quando surge o Um Anel a grande provação dos Homens se apresenta e os 19 + 1 passam a fazer sentido com a escuridão se revelando através do Olho de Sauron. São dezenove anéis ofertados e cada um dos grupos de anéis contendo uma ordem divina de organização mas com o aparecimento do Um Anel o total de anéis passa a ser vinte e o número vinte representa a raça dos homens:

5 dedos x 4 = 20

Interessante também que o hinduísmo diz que uma era leva exatamente 432.000 anos para ser concluída, logo: 4+3+2=9 (fim de um ciclo).

Mais algumas coisas interessantes sobre a obra de Tolkien

Cada um dos quatro Hobbits podem ser associados as funções Junguianas:

  • Frodo – Pensamento.
  • Sam – Sentimento.
  • Pipim – Intuição.
  • Merry – Sensação.

A Trindade:

  • Légolas  –  O Divino em ação.
  • Gimli – A força bruta capaz de depurar ou realizar alquimias.
  • Aragorn – A mescla das duas forças anteriores em ação.

A dualidade: Gandalf e Boromir

Enquanto o primeiro representa a sabedoria e o próprio Divino o segundo representa a ignorância e o profano. Boromir morre, Gandalf morre e ressuscita transformado em um mago branco. Tolkien nos diz que o ego embrutecido precisa morrer e que a fé e a consciência pode transformar qualquer homem em um ser Divino desde que ele aja de acordo com a sua essência evitando dessa forma a concupiscência que é a energia que permite ao Um Anel dominar a todos os outro anéis e raças.

A sociedade do Anel

O número de integrantes é nove. O número de opositores também é nove, logo:

9 + 9 = 18 e  1 + 8 = 9

Aí está o poder dos opostos. Uma balança equilibrada mas que com o surgimento do Um Anel se desequilibra, pois como está escrito: “…A Era dos Elfos acabou, a Era dos Homens acabou , a Era dos Orcs começou…”

E Gollum?

Eu diria que Deus age de forma misteriosa em sua infinita sabedoria, pois Gollum uma criatura atormentada pelo bem e o mal se transforma no final em um agente de Deus. Tolkien escreveu sobre isso:

“O diabo pode tentar ser bom, e mesmo assim, continua diabo. Este é um grande mistério e uma profunda verdade cristã”.

Em Romanos 8:28 está escrito isso: “…Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito…”

A Temperança como caminho

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A MORTE

Existe uma grande diferença entre “transformação e transmutação”. No tarô o arcano XIII transforma, muda o nosso estado. É a Morte de um ciclo, de uma conjuntura, mas jamais será a morte da essência, pois a essência é permanente. Pense na água que evapora. Ela deixa de ser água por ter evaporado? É lógico que não! Isso é a “essência”.

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A TEMPERANÇA

Entretanto quando essa mesma essência é alterada ocorre a Transmutação. Os alquimistas afirmavam transformar o chumbo (Pb) em ouro (Au) …. Isso é a Temperança, Arcano XIV. Mas de que tipo de transmutação estou falando? Falo da transmutação essencial, da pedra angular, de todo o processo alquímico e que “deveria” ser aplicado por cada um de nós em nosso dia a dia: a mudança em nosso Ego. Muita gente encara isso como perda de tempo, até como bobagens… e a prova disso que escrevo é a grande quantidade de pessoas conflitadas em seus objetivos de vida, que estão andando por aí, de um lado para o outro, em busca de um caminho. Porém é uma “bobagem” que sempre nos custa muito caro! Acho tragicômico que ninguém investigue a fundo o sentido das palavras e que muito menos ainda se pense no ego como a grande causa de todos os nossos problemas. Não sou contra um ego forte, muito pelo contrário. Só um ego forte e bem construído é capaz de suportar a luz, o conhecimento, e compreender em seu íntimo que suas tendências e condicionamentos são importantes para o seu desenvolvimento. Sou contra o ego construído sem refinamentos, grosseiro por excelência, incapaz de ver o fogo de Prometeu e que se apega de forma irracional e inconsequente (para não dizer, de forma burra) em todas as suas experiências e percepções esquecendo-se que são os ciclos, e não o ego, que regem o ritmo dos acontecimentos em uma vida. Nessas horas lembro dos conselhos de Osho alertando para se ir sempre adiante, sem valorizar demasiadamente o conhecimento adquirido e não se iludir e se apegar abusivamente neles evitando-se, dessa forma, uma possível estagnação e uma limitação cada vez mais crescente dos processos envolvendo a consciência. Sempre, no fundo do tacho, está a resposta! Então raspe o tacho sempre que for possível! Mas quem se importa, hoje em dia, em buscar essas coisas? Mas voltando a essa “Temperança”; quem sabe misturar com segurança a água com o vinho para atenuar o tempero das coisas? Quem compreende um pouco de Kabbalah sabe que a Água / Chesed = Misericórdia (como elemento é chamado de Apas) é o Éter em seu estado aquoso. Esse Éter é a essência, mas o estado desse mesmo Éter pode ser “aquoso, ígneo, gasoso, pétreo, (uma vez cristalizados ou condensados surgem os 4 elementos em suas formas físicas) sem ainda estar e ser transmutado. O vinho / Guevurá = Severidade nos leva a pensar em uma balança quando se contrapõe e complementa a Água… confuso? Não, basta prestar atenção em você mesmo!

Vamos lá…

Passamos a vida inteira entre dois extremos, o certo e o errado. A dualidade é a regra, pois a comparação é a regra. A Temperança surge como um modelo de moderação: “Nem tanto ao céu, nem tanto a terra”. Então surge a necessidade do equilíbrio.

Misericórdia - Severidade

Se a Severidade for corretamente diluída na Misericórdia surgirá uma nova substância ou uma nova essência. Isso chamamos de Transmutação. O Ego é transmutado a partir de cada nova mistura. No caso da Temperança podemos entender que essa transmutação se dá adicionando Amor ao Julgamento (Água + Vinho = Chesed + Guevurá ou Amor + Severidade para julgar)

O que a Temperança nos diz é que podemos julgar com amor! Parece impossível? Para quem sinceramente se esforça com determinação para se compreender e compreender o seu próximo esse movimento de equilíbrio entre os opostos acaba revelando um processo muito rico em possibilidades e superações. É um novo mundo para quem busca com amor essa nova substância. Só entende o “julgamento com amor” quem realmente sentiu em seu íntimo o verdadeiro significado da frase, “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Não se trata de palavras bonitas, de palavras de impacto ou de amor pelo próximo, puro e simples, se trata de uma chave e uma porta para quem sabe realmente reconhecer e interpretar o Poder contido nessas palavras. E quem pensa que se trata apenas do poder do Amor pelo Amor também não encontrou a resposta. Mas infelizmente as pessoas, de um modo geral, leem essa frase sempre no “raso” e não compreendem o significado mais profundo do que estão lendo ou pronunciando… A Temperança nos revela um terceiro caminho ou melhor, nos informa que sempre haverá um terceiro caminho! Mas para esse caminho ser autêntico há que se passar, primeiro, pelos processos alquímicos dentro de sua alma. Na dualidade está o Arcano da Justiça, pois posso estabelecer o peso de uma coisa a partir de outra e então tomo a minha decisão. Com a Temperança crio algo completamente novo e aqui está a beleza da coisa toda! Descubro que posso ampliar minha consciência e meus sentidos de forma excepcional, criando uma terceira alternativa, e me torno apto para “amar (sem limites) sem deixar de ser severo (com limites) ” ou seja, podemos transcender qualquer situação e/ou qualquer coisa sem nos afastarmos do ponto central de nossas questões. Essa é a alquimia perfeita! O Éter (A Alma) pode ser alterado…

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OS ENAMORADOS, THOTH TARÔ

Se no arcano dos Enamorados os opostos estão presentes revelando conflitos e dúvidas, na Temperança estes mesmos opostos estão em comunhão profunda (Fogo e Água). No Thoth Tarô esses processos alquímicos estão bem representados em suas lâminas. No caso da Temperança lê-se acima, no alto da lâmina: “Visita Interiorem Terrae, Rectificando, Invenies Occultum Lapidem” e sua tradução: “Visita o Centro da Terra, Retificando-te, encontrarás a Pedra Filosofal”. Quer algo mais claro do que isso? O “Centro da Terra” é o nosso ego em estado bruto, “Retificando-te é o mesmo que purificando-se (através das experiências, dos sentidos e percepções) e por último a “Pedra Filosofal” que é uma clara referência a verdadeira essência da nossa alma.

A Temperança nos convida a iniciar a reforma íntima. Mas não se engane; se você não sabe “ver”, não sabe “ler” e não sabe “ouvir” de pouco adiantará dizer que compreende o significado das palavras de Yeshua (Jesus) em sua mais ampla e profunda manifestação de Amor… E para encerrar, existem dois axiomas que reforçam esses princípios naturais:

INRI – Igni natura renovatur integra (A Natureza é completamente renovada pelo Fogo).
INRI – Iēsus Nazarēnus, Rēx Iūdaeōrum ( Jesus de Nazaré Rei dos Judeus).

Qual o ponto em comum entre os dois axiomas? A Transmutação! Yeshua pela morte e ressurreição e a Natureza que alcança também a sua morte, nasce e se renova continuamente pelo Fogo. Ambos criam algo novo, o tempo todo, através do mesmo processo alquímico.

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A TRINDADE EGÍPCIA

Vale lembrar aqui também que o signo de Peixes (Água) representa a Era de Yeshua e que toda Transmutação só é possível pelo Fogo. E outros “mitos” também revelam essa alquimia, quem conhece a história de Osíris, Ísis e Hórus? Hórus é o terceiro caminho gerado após a morte e ressurreição de Osíris.

Esse texto é para quem sabe ler nas entrelinhas… É para quem saber “ver” e para quem começou a ensaiar seus primeiros movimentos no caminho do Louco e no caminho do Mago…

2016 e outros arcanos…

Na soma de 2016 (2+0+1+6) encontramos o arcano 9, O Eremita. Mas dois outros arcanos também estão presentes: 20 (O Julgamento) e 16 (A Torre ou Casa de Deus). Mas estamos no segundo milênio da Era Cristã e o major20arcano do Julgamento (arcano 20) é a base desse milênio. Então podemos dizer que o atual milênio é um milênio de “ajustes”. Curiosamente no Osho Zen Tarô este arcano é chamado de “Além da Ilusão”. No esoterismo ele é conhecido sob o título de “O Espírito do Fogo Primitivo”. O Elemento ou Tattwa presente neste arcano é o “Fogo” (Tejas ). Mas vamos adiante…

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O arcano 16, A Torre possui um título esotérico enigmático: “O Senhor das Hostes dos Poderosos. ”

Ocorre que a palavra “hostes” nem sempre define algo bom ou positivo. Vejam o que está escrito em Efésios 6:

“…porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra principados, contra potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais… ” Esse trecho sugere que as “forças do mal” habitam as regiões celestiais (o espaço sideral) e que nossa verdadeira luta é contra esse mal que está lá em cima, entre as estrelas, e que não deveríamos guerrear entre nós mesmos (lutar contra carne e sangue). Então podemos deduzir que nem tudo quem vem do “alto” é realmente bom! Mas isso é um outro assunto…

 

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Se o Mal está nas regiões celestiais o que é realmente esse Mal?

O princípio astrológico do arcano 16, A Torre, é Marte. Marte é o dinamismo, a força, o movimento, impulsividade e ação. Nesse arcano o Elemento Fogo promove a purificação e vai muito mais longe ainda, pois “O Fogo” (Tejas) é o grande sutilizador da matéria através da combustão completa. Acender velas é uma forma de simular essa combustão. Muitas pessoas acendem velas para orar, mas não compreendem o que realmente estão fazendo ou pedindo. candelaElas produzem “Fogo” para iluminar seus desejos e anseios ou para iluminar o caminho. Porém ao acender-se uma vela ou ao produzir fogo elas ignoram que esse Elemento possui uma inclinação natural por tudo que é “elevado”, pelo espiritual. Essa inclinação está expressa em suas chamas que sempre se projetarão cada vez mais para o alto. Por isso o ato de acender velas expressa, em essência, esse anseio pelo Divino e jamais deveria representar, de forma alguma, nossos desejos pela matéria, pois a contradição é evidente.

Quando analisamos a junção desses dois grandes arcanos podemos perceber o teor transformador, através do Fogo, neles presentes.

Enquanto O Julgamento fala de um despertar, de renovações e de surpresas, A Torre revela que tudo isso se dará através da quebra das estruturas, de uma mudança de paradigmas que não pode mais ser adiada. Então percebemos que o Eremita precisará sair da caverna e se posicionar. E acreditem, esse movimento não será nada fácil! Muita gente vai surtar por se perceber limitada ou incapaz de fazer tal movimento de tão enraizadas em seus paradigmas e preconceitos.

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O arcano XVI em ação

Mas o Fogo traz a cura. É uma grande oportunidade de transformar tudo, de renovar, de projetar ou de “fazer diferente”. Por isso a questão do “foco” é tão essencial para se atravessar essa grande tempestade que está chegando. Se olharmos o que ocorreu em 2015 em termos de quebra de paradigmas e/ou rupturas vamos compreender que o movimento de “destruição” da ordem existente está apenas começando.

Fique atento aos seus instintos e suas intuições. Não ignore nada! O Foco será o norte magnético de sua bússola…

E se a Estrela cair?

Muitas pessoas andam “sonhando” com astros caindo na terra. Ao longo deste ano de 2015 ouvi vários relatos. Então achei interessante analisar os vários significados desses “sonhos. ”

Vamos pegar para fazer essa análise o arcano XVII, A Estrela. Quem compreende um pouco de Tarô associa esse arcano ao signo de Aquário e o associa também a tal famosa Era de Aquário devido aos sentidos

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Ganimedes, levado por Zeus ao Olimpo para servir o vinho aos deuses.

simbólicos de esperança e renovação, que é um dos significados mais conhecidos dessa nova era. É um arcano feminino com várias alegorias das correntes de águas, mas curiosamente em suas primeiras imagens iconográficas foram figuras masculinas que ornaram a representação desse arcano. Mas vamos adiante… Vamos analisar o que “A Estrela” anda fazendo nos “sonhos” de algumas pessoas.

Significado no Plano Mental: Algo traz uma força de fora e que pode ser utilizada para o bem ou para o mal. Também é aquela famosa inspiração para se tomar uma atitude a fazer alguma coisa.

Significado no Plano Material: Realização das coisas, harmonia.

Significado no Plano Emocional: Uma corrente de energia de equilíbrio e esplendor.

Significado oculto: Falta de visão e percepção, estabilidade física de curta duração, má sorte!

Indo um pouco mais além das interpretações habituais dos arcanos podemos seguir um pouco mais fundo em nossas percepções. Em 17_estrela_tarot_egipcio_modernoApocalipse (XVI, 3, 12), por exemplo, é dito que os sete anjos derramarão suas taças sobre o solo e o ar, mas sobretudo sobre os cursos d’água. Então as pessoas podem estar tendo algum tipo de premonição, não é mesmo? Sim, podem! Não podemos esquecer que a linguagem utilizada pelo nosso inconsciente é sempre simbólica. Shiva_Nataraja_1Na simbologia do arcano XVII vemos os influxos cósmicos sendo derramados pelos sete planetas sobre a parte sólida e líquida da matéria. Esse influxo também é uma forma de destruição e renovação o que nos leva a pensar também em Shiva Nataraja que dentro da tradição hindu é o destruidor e construtor de mundos.

A Estrela também é símbolo de nascimento. Lembram dos Três Reis Magos? Mas no Apocalipse a Divindade segura em suas mãos sete estrelas…. Curiosamente estão sendo registradas várias anomalias no sistema solar. Antes que digam que é mais um daqueles links que levam a sites ou blogs sensacionalistas sugiro que pesquisem as informações em sites sérios e com credibilidade científica (eu fiz). Encontrei nesse link um resumo das minhas próprias pesquisas: Clique aqui

Seria então a tão famosa Era de Aquário (que nada tem a ver com o mítico Saint Germain) uma era de destruição e por isso mesmo estamos captando os sinais e os símbolos desse ciclo que se inicia? E se a “Estrela Cair? ”, você realmente está preparado para isso? Ampliem seus horizontes, é um exercício! Posso garantir que sempre ganhamos muito com isso…

E para quem acha que tudo é por acaso deixo aqui duas imagens bem ilustrativas desse… “acaso”.

stargate 10 fatos chocantes sobre o Large Hadron Collider CERNE submundo 2015 september setembro  23

Em Shiva vemos o propósito do colisor?

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O grande Colisor de Hádrons na Suíça

2016 – O Eremita

“Eu prefiro ser, essa metamorfose ambulante..”

 

 

 

Os ciclos evolutivos do planeta parecem se encaminhar rapidamente para um desfecho. A “Roda “gira cada vez mais freneticamente.  O ano de 2016 se aproxima com energias explosivas e o Eremita anuncia o final de um ciclo… Você realmente compreende o que está ocorrendo?

O Eremita, arcano 9, se aproxima com a energia de Saturno e a essência de Virgem nos incentivando a perseverar, a acreditar, a ter paciência e a buscar a verdade nas coisas, ou seja, vamos nos preparar para a necessidade cada vez mais consciente de equilibrar a balança a nossa volta, de buscar respostas satisfatórias que realmente nos conduzam a um entendimento ou a uma compreensão segura sobre aquilo que nos debruçamos e/ou precisamos. Entender a essência do Eremita é saber que estamos em constante transformação. Então é chegado o tempo da revisão, da separação do “joio e do trigo”e de buscar na matriz divina a orientação necessária para o movimento da Roda, que se aproxima.

São Paulo Eremita

“O justo vive da fé”

Quem não tiver fé ficará no meio do caminho. Não se iluda! Daqui para frente o caminho será para os fortes.  O Eremita pede que você acredite em você mesmo, que você seja capaz, que você se supere.

E como deve se dar essa superação? Descomplicando as coisas! Acalmando a mente para entender com maior profundidade o momento que estamos atravessando. Todavia o Eremita sempre espelha duas faces. A primeira face é a nossa que sempre se mostra com todas as nossas carências e defeitos, com nossos julgamentos e preconceitos. A segunda face é a face do “Alto”, do Macro, que espelha toda perfeição do amor, toda a face do universo.

Vitor Hugo certa vez disse:  “Existe uma coisa maior que o mar: o céu. Existe um espetáculo maior que o céu: é o interior de uma alma”.

Nossa alma é infinita, nossos limites terrenos são apenas temporários! As pessoas precisarão se esforçar muito para realmente compreender esses conceitos.  Em busca dessas respostas precisaremos saber dizer NÃO, vamos ter que aprender a renunciar até mesmo aos pensamentos mais doces, porém ilusórios… Tudo isso em busca da verdade, sempre mutável, para o momento que estamos atravessando. Aqui está a transformação, o autoconhecimento, a reforma íntima. Reforma essa que de agora em diante se mostrará cada vez mais necessária, pois do contrário será a face do vazio absoluto que você verá refletida no espelho do seu banheiro…  Isso nos lembra o nazareno dizendo e incentivando os pescadores a avançar para águas mais profundas toda vez que a pesca se mostrava insatisfatória para evitar de se perder tempo com reflexos… É a pesca que importa, bote foco nisso!